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Em que pese as inúmeras glórias conquistadas nos campos esportivos, o Cruzeiro sempre enfrentou uma infindável seqüência de crises e dificuldades, que foram sempre superadas graças a abnegação, ao esforço e ao amor ao clube. A sua maior crise e indiscutivelmente a mais grave começou`em 19.., com a sua eliminação da Divisão Especial da federação. Rebaixado à divisão inferior, o Cruzeiro foi enfrentando dificuldades cada vez maiores. Dificuldades estas que se agigantaram em 1970, com a venda da Montanha. Durante dois anos o Clube continuou disputando em campos emprestados ou alugados, até que ao final de 1972, pressionada pela situação financeira, que não era das melhores e das dívidas que se acumulavam, a diretoria decidiu licenciar o Clube das atividades profissionais, conservando apenas o seu Departamento Amador – juvenís.
Fora do campeonato gaúcho de 1972 a 1974, as atenções foram voltadas para o Departamento Amador, principalmente para os juvenis. Criou-se então a Escolinha de Futebol do Cruzeiro, que se mantém em atividades até os dias de hoje, constituindo-se num celeiro para a formação de novos craques. Em 1975, aproveitando a equipe de juvenis, o Cruzeiro aceitou o convite da Federação, retornando ao futebol profissional. Foram mais dois anos sem estádio, até que no dia 3 de abril de 1977, numa tarde de festa para sua fiel torcida, o Cruzeiro inaugurava no alto da Protásio Alves, seu estádio provisório: o Estrelão, com capacidade para oito mil pessoas. A precipitação da volta se fez sentir logo em seguida, tanto pela falta de embasamento financeiro, como pela falta de estrutura do Clube, que novamente entrava em crise financeira, com as dívidas se avolumando e crescendo, face a um campeonato mal organizado e financeiramente deficitário. Em vista da gravidade da situação os Conselhos Executivo e Consultivo e Deliberativo decidiram por uma nova paralisação, em 1979. Tendo sua origem no futebol, o Cruzeiro não poderia permanecer muito tempo afastado dos campos esportivos, e graças ao esforço de seus dirigentes, associados e torcedores, retornou em 19--, voltando a disputar a série C do Campeonato Gaúcho. E apesar de todas as dificuldades, agravadas pelos campeonatos deficitários promovidos pela federação, o Clube vem conseguindo manter-se em atividade, embora em condições precárias, que não condizem com a grandeza de sua história. Nos últimos anos esta situação voltou a atingir patamares incontroláveis, devido ao acúmulo de dívidas oriundas de gestões passadas e que passaram a comprometer seriamente a sobrevivência do Cruzeiro como agremiação esportiva. Cientes da gravidade da situação, seus conselheiros e associados se uniram e decidiram somar esforços para resolver de forma definitiva a situação do Cruzeiro. Por aclamação, foi empossada a nova Diretoria do Clube, tendo como Presidente, Flávio Fachel, e como vice-presidentes, Ernani Campello, Brasil Batista Leite, Paulo Francisco Alves Estrela e Paulo Cícero Casa Nova. Os integrantes do novo Conselho Executivo, juntamente com os dos Conselhos Consultivo, Deliberativo e Fiscal, iniciaram desde logo um plano de trabalho destinado a acertar definitivamente as finanças do clube, quitando todas as dívidas pendentes, reativando o quadro social, reestruturando o patrimônio do Clube e criando as condições necessárias para que a equipe estrelada participe da série B do Campeonato gaúcho em condições de honrar as suas tradições.
Neste sentido, estão sendo examinadas propostas relacionadas com a venda de parte da área pertencente ao Clube, para que a verba conseguida com esta transação possa ser aplicada,(através de uma Comissão Especial a ser constituída com finalidade específica), no pagamento de todas dívidas existentes e na construção de um novo campo, dotado de todas as condições necessárias para a prática do futebol. Paralelamente, serão construídos campos suplementares, dependências sociais, secretaria, salas para os departamentos, vestiários e concentração para os atletas, além de sala destinada ao atendimento médico. Está prevista também a construção de um muro ao redor de toda a área, para garantir a segurança do nosso patrimônio. A meta é construir um complexo esportivo compacto, de menor porte, mas moderno e que possibilite manter controle total de sua administração e manutenção, principalmente no que se refere a segurança de seus bens patrimoniais. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma nova fase que está sendo iniciada de forma séria e consciente, para que o Cruzeiro volte a ser o grande clube que foi ao longo de décadas, confundindo-se com a própria história do esporte no Rio Grande do Sul. Este trabalho será uma homenagem da atual Diretoria a todos aqueles cruzeiristas que de forma abnegada e até mesmo apaixonada trabalharam de forma incansável para que o Cruzeiro chegasse aos seus 90 anos de existência, com uma história de grandes conquistas em todos os campos esportivos, elevando o nome do esporte gaúcho no Brasil e no Exterior. Gente que não vai morrer nunca, enquanto o pavilhão estrelado estiver tremulando. |
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